Pular para o conteúdo
← Artigos

· Ver em markdown

Santiago Blandón Ferro·Arquiteto, tecnologia para produção avícola·Mais sobre mim

Nove pontos de IEP por um dia: a idade é a de saída, não a de processamento

A ave viaja e o abatedouro a processa no dia seguinte. O IEP divide pela idade, então esse dia a mais custa nove pontos num ciclo de 39,4. O erro tem assinatura: conversão exata com IEP enviesado.

Que idade tem uma ave no dia em que a processam?#

Uma a mais do que tinha quando saiu do galpão. O caminhão carrega à noite, a ave chega ao abatedouro de madrugada e entra na linha naquela manhã. Entre a data que a granja anota e a que o abatedouro anota há um dia, às vezes dois.

Parece contabilidade menor. Não é: o IEP divide pela idade.

Quanto custa esse dia?#

Sobre um ciclo de 39,4 dias, usar 40,4 no lugar derruba o índice em cerca de 2,5 %. Num lote que está em 360, são nove pontos.

DadoCom idade de saídaCom data de processamento
Idade usada39,4 dias40,4 dias
Conversão1,6541,654
Peso vivo2,519 kg2,519 kg
Sobrevivência94,66 %94,66 %
IEP366357

Nove pontos é uma diferença que, em muitas operações, basta para premiar ou não um gerente de granja.

Por que é tão difícil de ver?#

Porque o erro não toca a conversão alimentar.

A conversão alimentar é quilos de ração por quilos de peso vivo produzido. A idade não entra nessa divisão em lugar nenhum. Então o lote mostra uma conversão impecável — a mesma que qualquer um calcularia à mão — e um IEP que não bate com ela.

E se o lote saiu em duas levas?#

Então há duas idades, e a pergunta certa não é «qual eu uso?» e sim «de que lote estou falando?».

Um lote com raleio tem aves que saíram no dia 34 e aves que saíram no dia 42. O IEP do conjunto não é o de nenhuma das duas levas: é o do lote completo, e a idade correspondente é a média ponderada por quilos, não a do último caminhão nem a do primeiro.

Pegar a do último caminhão infla a idade e afunda o índice. Pegar a do primeiro faz o contrário. As duas são defensáveis numa reunião e as duas estão erradas.

Como corrigir sem mexer no histórico?#

O dado que falta normalmente já está lá: o registro diário do dia do raleio carrega as aves retiradas. Dali sai a data de saída daquela leva sem perguntar nada a ninguém e sem depender do que o abatedouro anotou.

A regra que vale escrever, porque se esquece:

  • A idade do IEP é a do dia em que a ave sai do galpão. Não a da data de processamento, não a do comprovante do abatedouro, não a da nota fiscal.
  • Com retirada escalonada, é a média ponderada por quilos das levas.
  • Se a data de saída não existe no registro, diga-se. Um índice calculado com a data de processamento porque não havia outra coisa é um índice que precisa ser marcado como estimado, não publicado ao lado dos demais.

O que mais parece errado pelo mesmo motivo?#

Qualquer indicador com a idade no denominador. O ganho de peso diário — peso final dividido por dias — é subestimado exatamente na mesma proporção. O custo por dia de galpão é distribuído por um dia a mais e sai barato. E a projeção do ciclo seguinte, se calibrada contra o histórico, herda o viés inteiro.

Esse é o traço incômodo dos erros de denominador: não produzem um número estranho que chame atenção. Produzem um complexo inteiro que parece render um pouco menos do que rende, de forma consistente, durante anos. E contra um histórico enviesado, a granja sempre cumpre a meta.